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Audiência / Vernissage / Havel (reposição)

Uma peça em dois andares, duas peças num acto.

(...) As peças, apesar de localmente tipificadas, ultrapassam a geografia cultural e a fenomenologia política. E se ainda subsistisse algum perigo nesse sentido, o próprio texto cria o antídoto, com o remédio do humor da Europa Central, quer dizer, dos checos, quer dizer, de Praga.

Porquê em dois andares? (...) Se o primeiro texto se desenrola em baixo, numa organização espacial condenada ao estatismo em movimento perpétuo, concêntrico e, em certo sentido, concentracionário, a sua antinomia, em cima, dissimula o mesmo sistema social embora mais hierarquizado e mais complexo. O que está em baixo estará em cima e vice- versa? Afinal as duas estruturas são religadas umbilicalmente apesar de todas as mistificações do doce lar e do politicamente correcto de Vernissage.

Formalmente, o transporte dos textos para diferentes palcos, representa a evidência factual e não a vagabundagem gratuita ou jogo. E se o jogo não deve ser eliminado do teatro, aqui é jogado na dupla circularidade das inúmeras vistas que simultaneamente aprisionam o mesmo objecto. Ou: variações em volta da natureza das coisas.

Jorge Listopad

de Václav Havel
tradução Anna Almeida e José Vidal de Almeida
encenador Jorge Listopad
cenografia e figurinos Cátia Carvalho, Joana Matos e Tiago Proença
desenho de luz José Carlos Nascimento
interpretação António Banha, António Rama, Júlio Martín, Maria Amélia Matta