Sobre nós
O Teatro Nacional D. Maria II é uma instituição dedicada ao serviço público de cultura. Fundado em 1846, ocupa um lugar singular na vida cultural portuguesa: pela sua história, pelo edifício que habita, pelo património que guarda e pela responsabilidade que tem perante artistas, públicos, trabalhadores, parceiros e comunidades.
O D. Maria II cria, produz, acolhe, circula, forma, documenta, pensa e abre espaço à participação. Protege a liberdade artística e a liberdade de expressão. Trabalha para que mais pessoas possam aceder ao teatro, não só como espectadoras, mas também como participantes, interlocutoras e cidadãs com direitos culturais.
O nosso compromisso
As instituições culturais públicas têm hoje uma responsabilidade particular. A vida democrática precisa de espaços onde a diferença possa ser celebrada, onde o conflito possa ser pensado, onde a liberdade de criação seja protegida e onde as pessoas se encontrem em torno de outras perspetivas, outras vozes e outras formas de olhar o mundo.
O Teatro é um desses espaços. Junta pessoas numa sala, numa praça, numa escola, num ensaio, numa conversa. Convoca atenção. Pede escuta e curiosidade. Permite discordância. Cria uma realidade partilhada, ainda que temporária, e, por isso mesmo, preciosa.
O nosso compromisso é o de cuidar deste teatro como instituição pública de confiança: rigorosa na gestão, livre na criação, atenta às pessoas, aberta ao país, consciente da sua história e disponível para se transformar.
VISÃO
Uma sociedade composta por comunidades livres, justas e sustentáveis, que cuidam da sua democracia.
MISSÃO
O Teatro Nacional D. Maria II desafia a pensar de forma plural, colocando-nos em relação connosco e com o mundo, inspirados pela criação artística para expandir a ideia de teatro público, cultivar a memória e imaginar futuros.
VALORES
Liberdade, Integridade, Justiça Social, Criatividade, Curiosidade.
O D. Maria II é inseparável do Rossio. O edifício histórico, monumento nacional, faz parte da memória de Lisboa e do teatro português. Mas a identidade deste Teatro não se esgota na sua casa.
O encerramento para obras do edifício do Rossio, em 2023, potenciou a presença do D. Maria II em todo o território. Com o projeto Odisseia Nacional, o Teatro levou diferentes formas de expressão artística a mais de cem municípios, trabalhando em articulação com teatros e cineteatros, escolas, artistas e suas estruturas, autarquias, associações, comunidades e públicos muito diversos. Esse percurso não foi um intervalo. Foi uma aprendizagem sobre o que pode ser um teatro nacional num país ainda atravessado por fortes assimetrias no acesso à criação, à fruição e à participação cultural.
Em 2026, o D. Maria II voltou a casa, enriquecido pela experiência dos últimos anos. O edifício reabriu com o país mais presente dentro dele: nos artistas com quem trabalhamos, nas parcerias que queremos continuar, nos públicos que fomos encontrando, nas perguntas que esses encontros nos deixaram.
O Teatro será sempre uma casa. Quer continuar a ser também uma rede.
A excelência artística é uma obrigação de serviço público. Não deve fechar o Teatro sobre uma ideia estreita de consagração, nem separar exigência e abertura. Deve traduzir-se no rigor da escolha dos projetos, nas condições dadas à criação, na relação com artistas e profissionais, na qualidade técnica das produções, na atenção ao público, na comunicação, na mediação e na avaliação do impacto.
Trabalhamos para que o projeto artístico e a sua relação com as comunidades disponham de condições institucionais sólidas. A criação precisa de liberdade. Precisa também de organização, tempo, recursos, equipas preparadas, regras claras e capacidade de decisão. Cabe à gestão criar esse terreno, com responsabilidade perante a tutela, os trabalhadores, os parceiros, os artistas, os públicos e a sociedade.
O Teatro deve ser um lugar onde a memória convive com a criação contemporânea, onde o repertório é lido a partir do presente, onde novas dramaturgias encontram espaço, onde artistas com percursos distintos se cruzam e onde diferentes gerações trabalham lado a lado. A exigência artística ganha sentido quando chega às pessoas, quando as desafia, quando abre conversas, discordâncias, espanto ou reconhecimento.
O Teatro tem vindo a aprofundar o seu trabalho de acessibilidade física, intelectual, social e económica. Interpretação em Língua Gestual Portuguesa, audiodescrição, sessões descontraídas, práticas de acolhimento inclusivo, formação das equipas, diálogo com associações representativas e eliminação progressiva de barreiras são instrumentos concretos de uma política cultural que leva a sério os direitos de todas as pessoas.
A inclusão não se resume ao acesso à sala. Está em quem programa, em quem cria, em quem trabalha, em quem é convidado, em quem se reconhece – ou não – nos palcos, nas histórias, nos modos de comunicação e nas relações institucionais. Um teatro público deve olhar para a diversidade da sociedade portuguesa e perguntar, com regularidade, quem continua de fora e porquê.
A participação é uma das respostas possíveis a essa pergunta. Projetos com comunidades, programas educativos, oficinas, atividades de mediação, conversas, iniciativas de pensamento e relações continuadas com escolas, associações e territórios permitem que o Teatro seja, cada vez mais, um lugar onde se pode fazer parte de algo maior do que nós.
A sustentabilidade ambiental é hoje incontornável, perante os desafios que a humanidade enfrenta. O edifício, a produção, a circulação, os materiais, os consumos energéticos e as práticas quotidianas devem ser pensados com maior responsabilidade. A requalificação do edifício do Rossio melhorou o desempenho energético e o conforto, mas a mudança tem de continuar nos modos de planear, contratar, produzir, comunicar e circular.
Também a sustentabilidade institucional e laboral é central. Um teatro público depende da qualidade das suas equipas, da sua qualificação, da capacidade de aprender, de se adaptar e de trabalhar em conjunto. Nos últimos anos, a atividade do D. Maria II tornou-se mais complexa: mais território, mais parcerias, mais projetos de mediação, mais exigências administrativas, mais comunicação, mais produção de conhecimento, mais responsabilidade pública.
Responder a essa complexidade exige uma organização preparada, com equipas valorizadas e condições de trabalho compatíveis com a ambição da missão. A qualidade artística e o impacto nas comunidades são indissociáveis da qualidade institucional.
O D. Maria II não cumpre a sua missão sozinho. Conta com uma ampla rede de parceiros, que inclui entidades públicas, municípios, estruturas artísticas, escolas, universidades, organizações sociais, fundações, empresas mecenas, redes internacionais e muitas outras entidades.
Estas relações permitem ampliar o alcance do Teatro, criar projetos que não seriam possíveis de forma isolada, chegar a públicos diferentes, apoiar a criação, desenvolver programas educativos, promover a circulação, reforçar a acessibilidade e experimentar novas formas de trabalho. Algumas parcerias são pontuais, outras tornam-se alianças de longo prazo.
O mecenato e o patrocínio reforçam a capacidade de ação e a estabilidade. Não substituem o financiamento público da cultura, que continua a ser essencial, mas ajudam a concretizar projetos, a abrir possibilidades e a envolver outros setores da sociedade na defesa da cultura como bem comum.
O D. Maria II guarda uma parte importante da história do teatro português. O arquivo, a biblioteca, o acervo, a atividade editorial, a livraria, as exposições e os projetos de investigação são formas de preservar, estudar e partilhar essa memória.
Uma instituição com esta história e esta memória deve continuar a fazer perguntas. Questionar este legado ajuda-nos a compreender as mudanças do teatro, da língua, dos públicos, da cidade e do país. Ajuda-nos também a reconhecer ausências, contradições e conflitos que fazem parte da história cultural portuguesa. O D. Maria II honra o seu passado, questiona o presente e imagina futuros.
A esta dimensão de memória e conhecimento junta-se a dimensão internacional do Teatro. Participar em redes europeias, desenvolver coproduções, acolher artistas estrangeiros, fazer circular criação portuguesa e trazer a Portugal obras e práticas de outros contextos permite ao Teatro aprender, cooperar e dar maior visibilidade ao trabalho artístico feito no país. A internacionalização deve nascer de relações consistentes, não apenas de circulação ocasional.
O projeto de requalificação
O edifício do Teatro Nacional D. Maria II, no Rossio, reabriu em setembro de 2026, após uma profunda intervenção de requalificação, restauro e renovação, iniciada em 2023, no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência.
