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F***R e Ir às Compras


A oportunidade de reflectir sobre a sociedade de consumo, a globalização, a violência e o corpo, questões que definitivamente se instalaram na sociedade portuguesa e nas artes.

Esta sedutora combinação de palavras aponta para dois planos políticos que se entrecruzam e tecem a peça: um check-up à sociedade de consumo e uma sensibilidade extrema quanto à dinâmica das relações. Os personagens compram-se uns aos outros, tentam não ter dependências afectivas e usar o dinheiro como anestesia comprar é um profilático para o desejo, para no limite se tornar explícito que não dá. Não funciona. E no entanto vai funcionando.

Em cena procuramos recriar esta sociedade sem conteúdo, frágil e vazia como caixas de cartão. Através de aberturas e rasgos no cenário, surge um mundo interior que remete para a sociedade de consumo. Os actores vomitam palavras, e procuram com o seu corpo a solução.

"Acho que todos precisamos de histórias, nós inventamos histórias para nos aguentarmos. E penso que há muito tempo havia grandes histórias. Histórias tão grandes que podias viver a vida toda nelas. (...) Mas todas elas morreram ou o mundo cresceu ou ficou senil ou nos esquecemos, e então agora estamos todos a fazer as nossas próprias histórias. Pequenas histórias. O que acontece de diferentes maneiras. Mas cada um tem uma.”
Mark Ravenhill, (fala de Robbie)

Texto Mark Ravenhill
Tradução Ana Bigotte Vieira
Direcção Artística e Encenação  Gonçalo Amorim
Interpretação Carla Maciel, Carloto Cotta, Pedro Carmo, Pedro Gil, Romeu Costa
Espaço Cénico Rita Abreu
Adereços e Figurinos Ana Limpinho | Maria João Castelo
Sonoplastia  Sérgio Milhano
Desenho de Luz  José Manuel Rodrigues
Assistência de produção Andreia Carneiro
Direcção de Produção Mafalda Gouveia

Co-Produção Primeiros Sintomas / CCB

Duração: 1h50 (com intervalo)
M/18 anos